14.1.09

Sol com chuva

Avistara justamente naquela manhã nublada
O sorriso que ardia muito mais que o sol
E que tornou acesa a luz que se apagava,
Trazendo intensidade ao esmorecente arrebol.

Porque nada era n’alma mais qu’ínfimo pingo,
Era como um deserto intenso e desfraldado,
Uma pedra preciosa dormindo no limbo,
Na imensidão inóspita d’um continente gelado.

Passos ao relento por rumos incertos
Na inconstância eterna que habita minha vila
E que tornou distante as mãos que andavam perto,
Nos versos inaudíveis da boca que sibila.

Era assim – fonte que desperta –
Era assim antes da tua chegada.
Era sempre fechada a porta hoje aberta;
Era sempre pouco, sempre quase nada.

Mas depois que chegaste sob frio chuvisco,
Depois que desfilaste na cinza passarela,
Colocaste em meu peito um marco, um obelisco,
Na praça principal da minha cidadela.

( Os raios rompendo o chumbo das nuvens
que derramavam naquele rosto indescritível pranto.)




Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

4 comentários:

PoesiaMGD disse...

Neste dia de chuva passeei por suas páginas. E gostei!
Abraço

manzas disse...

Gostei de todos os seus poemas...

Abri meus olhos de alma ensopada
Salpicados pelo cheiro da maresia…
Na fina areia molhada o mar me acordava
Num manto de espuma branca, me dizendo… bom dia!

O abraço...

Sonia Schmorantz disse...

Belo poema, parabéns...
um abraço

Roxo Pistache disse...

adorei seus poemas e peguei essa foto para minha postagem no meu blog! Seguindo-te ;)