29.1.09

Rio abaixo

Sob a sombra dessas asas
Deixei-me ficar todo esse tempo;
E ao sentir-lhe o toque leve
Como o soprar do vento
E o carinho intenso
Como a abrangente bruma,
Desci em águas fartas
Boiando feito espuma,
Até quedar teu rio
Em meu contentamento.

Deixei-me ficar isento
Das armadilhas do mundo;
E antecipei o riso que me viria em breve
No total das horas, à soma dos segundos;
As cores que te penso,
Perdido em desvario
Nas águas tão serenas,
Meandros do teu rio,
Onde navego em vida
À foz dos nossos mundos.


Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

5 comentários:

Anônimo disse...

Navegando em vida por águas serenas é o que todos nós desejamos, o meu prezado amigo e ilustre poeta o está conseguindo, e como tal os meus sinceros parabéns, por este facto e pelo maravilhoso poema que escreveu.
Que águas tranquilas sejam sempre seu caminho de viagem neste mundo turbolento.
Um abraço amigo. António Cambeta

Carlos Barros disse...

Caro Frederico,
Um poema de alta sensibilidade e de profundas intenções. Suas poesias são sempre encantadoras, envolvem e fascinam.

Deixo meu Abraço.

Liliana G. disse...

Frederico, leer tus poemas es soñar con tus mundos, tan llenos de sensibilidad y de tan fino lenguaje. Éste es justamente el lenjuaje de tu alma. ¡Felicitaciones! y ¡Gracias!

Sonia Schmorantz disse...

A tarde circular é uma baía:
em seu quieto vai e vem se move o mundo.

Tudo é visível e tudo é ilusório,
tudo está perto e tudo é intocável.

Os papéis, o livro, o vaso, o lápis
repousam à sombra de seus nomes.

Pulsar do tempo que em minha têmpora repete
a mesma e insistente sílaba de sangue.

A luz faz do muro indiferente
Um espectral teatro de reflexos.

No centro de um olho me descubro;
Não me vê, não me vejo em seu olhar.

Dissipa-se o instante. Sem mover-me,
eu permaneço e parto: sou uma pausa.

Octávio Paz

um abraço

Rosa caída disse...

Águas serenas é o que mais precisamos no mar intranquilo de nossas vivências.
Águas calmas que aquietem o espirito rebelde, o sangue quente e a alma sempre inquieta dos amantes da poesia.
Obrigado por este momento de paz...
Parabéns.
Nely.