20.5.09

Trem



Quem já experimentou viajar num trem de ferro sabe tratar-se de uma indescritível experiência.O grande poeta Manuel Bandeira, escreveu um divertido e bonito poema onde descreve uma viagem dessas. Uma graça de poema. Inspirado nele e também em minhas lembranças (as melhores que trago na memória) de viagens que fiz por alguns lugares aqui de Minas Gerais, resolvi também me arriscar em alguns versos a respeito do mesmo tema e sob a mesma ótica de Bandeira. Como se o "eu poético" fosse o próprio trem de ferro. Deixo, então, para a leitura de vocês os dois trabalhos; a começar pelo meu.





TREM

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Vou . . . . .
saindo . . . . . . . . . . . . . de mansinho . .
. . . . . . . . . . . . da estação . . . . . . . . . . .
. . . . . devagarzinho . . . . . . . . . . . . . . .
deslizando . . . . . . . . . . . . . pelos trilhos
. . . . . . . . . .num chiado . . . . . . . . . . . .
vou partindo . . . . . . . .vou rasgando a
ventania. . . .pelas curvas do caminho
. . . .disparando . . .num rompante. . .
vou seguindo. .
paro, não paro, paro, não paro, paro ,não paro
Passa boi, passa boiada,
Passa galho de ingazeira,
Passa campo, passa estrada,
Passa um buritizeiro,
Passa rio, passa ponte,
Bambuzal passa pertinho,
Passa um belo horizonte,
Passa breve um passarinho,
E vou. . . . . . . . .
Sigo contente, sigo contente, sigo contente, sigo contente,
Sopro forte a fumaça,
Sopro grosso, sopro fino,
Passa mato, mato passa,
Passa burro com menino,
Vai passando cachoeira,
Fazenda, cerca, lagoa,
Passa tanta bananeira,
Passa brejo com taboa. . .
Paro, não paro, paro, não paro, paro, não paro
Passa casa, passa fio,
Passa moça na janela,
Passa cadela no cio,
Co’uma fila por trás dela,
Passa túnel, passa poço,
Pescador com seu caniço,
Passa velho, passa moço,
Passa porco bem roliço...
E vou. . . . . . . . . . . . .
Sigo contente, sigo contente, sigo contente, sigo contente,
De repente passa carro . . .passa prédio
. . . . . . passa gente. . . . . . . .propaganda
. . . . . . . . . . . de cigarro . . . . . . . . . . . . . .
Numa placa. . . . . . . . . . . . .bem à frente
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . passa moça que
passeia . . . . . . . . . . . . . . tanta graça . . .
em sua forma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
meu apito . . . . . . . . . . . . . . . . . alardeia . .
. . . . . . . . . . . . . . . vem chegando . . . . . . .
. . . . . . . . . . a plataforma . . . . . . . . . . . . . .
paro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .não paro . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . paro . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . não paro . . . . . . . . . . .
. . . . . paro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . não paro . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .paro.

Frederico Salvo

PS.: inspirado no poema "Trem de ferro" de Manuel Bandeira.


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Direitos efetivos sobre a obra.



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http://www.releituras.com/mbandeira_bio.asp

TREM DE FERRO


 Café com pão

Café com pão

Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim

Café com pão

Agora sim

Café com pão

Voa, fumaça

Corre, cerca

Ai seu foguista

Bota fogo

Na fornalha

Que eu preciso

Muita força

Muita força

Muita força

Oô..Foge, bicho

Foge, povo

Passa ponte

Passa poste

Passa pato

Passa boi

Passa boiada

Passa galho

De ingazeira

Debruçada

Que vontade

De cantar!

Oô...

Quando me prendero

No canaviá

Cada pé de cana

Era um oficia

Ôo...

Menina bonita

Do vestido verde

Me dá tua boca

Pra matá minha sede

Ôo...

Vou mimbora voou mimbora

Não gosto daqui

Nasci no sertão

Sou de Ouricuri

Ôo...

Vou depressa

Vou correndo

Vou na toda

Que só levo

Pouca gente

Pouca gente

Pouca gente...




Manuel Bandeira








5 comentários:

Liliana G. disse...

¡Qué sorpresa Fred! Remozaste todo el sitio, dejaste por un rato los sonetos y hoy me traés, de la mano de tu precioso poema, los recuerdos más preciados de mi infancia.
Sí, yo he viajado en los trenes de vapor, allá lejos, tan lejos que la memoria quiere irse pero yo no la dejo. Estos son recuerdos que deben guardarse en el fondo del corazón.
Tu descripción del viaje es tal cual yo la recuerdo del mío.
¡Gracias, querido amigo!
Un abrazo inmenso.

Hermoso también el poema de Manuel Bandeira.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO FREDERICO, MAGISTRAL O TEU REGISTO... OS DOIS ESTÃO SUBLIMES... ABRAÇOS DE AMIZADE,
FERNANDINHA

Anônimo disse...

Está uma jóia, Fred ! Que privilegio nosso partilhar com os mestres da mesma língua portuguesa, com esse ritmo do café-com-pão de Bandeira!Avante! Abs, Taliah

Palavras de Osho disse...

Belíssimos poemas. Ô delícia de gostinho das coisas do interior ...

Abração!

Dalinha Catunda disse...

Olá Frederico,
Tenho paixão por trem e tive a felicidade de nascer no interior onde o trem era o principal meio de transporte.Quantas belas viagens!!!!

Eu vivia procurando este poema que era um dos meus preferidos: O Trem de Ferro de Manoel Bandeira. Uma Tia que era professora declamava para mim, ainda hoje sei de cor alguns trechos. Obrigado por pelo poema de Manoel Bandeira e parabéns pelo seu poema que ficou maravilhoso também.
Dalinha Catunda