D’onde vem energia tanta Que põe ímpeto em tuas veias? D’onde surge essa fúria santa Para ires onde anseias? D’onde flui a ancestralidade Que a ti trouxe o fogo príncipe? D’onde virá essa verdade, Ápice vivo dessa cúspide? Vem de remotas vivências; Complexa genealogia Intrínseca nos passados teus; E essa vem da transcendência, Da luminosidade que guia Que acostumaste a chamar de Deus.
Frederico Salvo
********************************** Direitos efetivos sobre a obra.
Adormece, vida. Adormece. E eu entrego-me a minha cama. Em suspenso põe o nosso drama. Enquanto esqueço, tu me esqueces. Adormece, pois quem me ama Já está guardado numa prece E as dúvidas, que bem conheces, Estão no bolso do pijama. Adormece e por fim descansa Das tarrafas que o convívio tece E depois em nossas águas lança. Vá. Repousa, pois a mim parece Que por hoje basta essa aliança. Boa noite, vida. Adormece.
Frederico Salvo
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Não ficarei a julgar-me por ser isso ou não ser aquilo. Talvez pudesse ser muito mais ou então estar muito aquém do que sou hoje. Portanto, não escapo de carregar exatamente o fardo que mereço.
Frederico Salvo ************************ Direitos efetivos sobre a obra.
Que diferença há tão gritante Entre mim e o imenso elefante A não ser as enormes orelhas, E o paquiderme não ter sobrancelhas? Talvez por não ter pés redondos Ou por não temer camundongos, A ele, enfim, não me assemelhe. Ou a silhueta não se espelhe. Mas sinto que há comumente Entre mim e esse ser diferente, Algo único de rara beleza: A essência da mãe natureza.
Frederico Salvo
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Pudesse desfazer o que foi feito. Tivesse como ter o que não posso. Se fosse qualidade o meu defeito E o drama de viver não fosse nosso. Se Cristo fosse o próximo eleito E a perna alcançasse além do passo. Se não houvesse tanto preconceito E a vida afrouxasse um pouco o laço. Seria eu o mesmo que escreve O desconsolo num soneto breve? Seriam assim as linhas que eu traço? Melhor que seja mesmo desse jeito, Pois tudo o que no mundo tenho feito É por não ser perfeito que o faço.
Frederico Salvo
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Tu disseste que hoje o vaso está repleto E a saudade aglomera-se em teu peito. Tuas flores fazem tudo estar completo Num arranjo muito mais do que perfeito. Esse vaso é o meu coração de lata, Essas flores são teus sentimentos quentes; Quebram o gelo que o esfria, mas não mata; Derretida pedra em tuas mãos ardentes. Cai à noite e imponente sobre a mesa Dorme o vaso, sob a luz da incerteza, Da distância... aço frio que me corta. Os teus dedos me escrevem um carinho Que não salvam-me da dor de estar sozinho Nos matizes dessa natureza morta.
Frederico Salvo
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(Poema escrito na época do falecimento de Dorival Caymmi)
Deixa pesar sobremaneira o teu corpo E entrega tua resistência agora Que já não tens mais força para a guerra. Anda, pois é quase passada a hora E a velha chama clara se encerra No esperar, sábio e guerreiro, que jaz morto.
Lança da tua boca o último grito Ao mundo que te parece distante; Aperta a mão de quem está ao teu lado. Faça da lembrança, dileta amante E do sonho perdido, consolado; Arremessa teus versos ao infinito.
Da dor retira o último sorriso E joga como semente à boa terra Para que haja lume no teu rastro. Sobe até o ponto mais alto da serra E assiste ao que agora é justo e preciso; Põe tua bandeira a meio mastro.
E dorme, e dorme, e dorme, e dorme calmo, Pois só louco amou como tu amaste E teu canto pela pátria se espalha Como a grandeza bem-vinda d’um salmo Que encanta na voz de quem encantaste; Foge agora! Vá p’ra Maracangalha.
Frederico Salvo ********************************************* Direitos efetivos sobre a obra.
Na estrada de Damasco... Um susto. Cavalos momentaneamente bípedes, De olhos arregalados... Arfantes. Relinchos de apavoramento.
Um homem cai ao chão Num estrondo surdo.
A escuridão toma conta do seu universo.
Ouvidos se abrem a uma voz interna: _ Por que me persegues?
Depois, Numa cama rota, O toque de alguém que, Guiado pela mesma voz, Viera ao seu encontro.
A luz se fez novamente.
A partir daí, Cólera deu lugar à obstinação; Intemperança deu lugar à fé; A chama passou a ser conduzida Por aquele que antes, Cego para muito além da cegueira, Arrancava olhos... Completamente desdentado... Extraía dentes.
Frederico Salvo
********************************** Direitos efetivos sobre a obra.
PAULO DE TARSO
O apóstolo Paulo de Tarso, cujo nome original era Sha'ul ("Saulo") (Tarso, c. 9 — Roma, c. 64) é considerado por muitos cristãos como o mais importante discípulo de Jesus ("Yeshua") e, depois de Jesus, a figura mais importante no desenvolvimento do Cristianismo nascente. Paulo de Tarso foi um apóstolo diferente dos demais, por ter dado maior ênfase aos irmãos gentios, pois seu chamado era destinado a eles que estavam espalhados pelo mundo (Atos 13:47). Paulo, assim comos os outros Verdadeiros Apóstolos, também teria visto Jesus Cristo (Atos 9:17, I Coríntios 15:8, dentre outros textos). Paulo era um homem culto, pois era fariseu seguidor de rabi Gamaliel. Destaca-se dos outros apóstolos pela sua cultura, considerando-se que em sua maioria era de pescadores. A língua materna de Paulo era o grego. É provavel que também dominasse o aramaico. Educado em duas culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela difusão do Cristianismo entre os gentios e é considerado uma das principais fontes da doutrina da Igreja. As suas Epístolas formam uma secção fundamental do Novo Testamento. Alguns afirmam que ele foi quem verdadeiramente transformou o cristianismo numa nova religião, e não mais uma seita do Judaísmo. Foi a mais destacada figura cristã a favorecer a abolição da necessidade da circuncisão e dos estritos hábitos alimentares tradicionais judaicos. Esta opção teve a princípio a oposição de outros líderes cristãos, mas, em consequência desta revolução, a adoção do cristianismo pelos povos gentios tornou-se mais viável, ao passo que os Judeus mais conservadores, muitos deles vivendo na Europa, permaneceram fiéis à sua tradição, que não tem um móbil missionário.
MISSÃO DE DAMASCO
Saulo, ferveroso defensor da tradição judaica (e por isso talvez mesmo um zelote), foi enviado a Damasco para fazer face à agitação dos seguidores do "Caminho". Foi durante esta missão a Damasco que Saulo tomou o partido dos cristãos que perseguia anteriormente. Foi aqui que Paulo, indo no caminho de Damasco, já perto da cidade, viu um resplendor de luz no céu que o cercou, e caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". (Atos 9.1-22) Paulo muda de lado. A esta mudança de partido ele fez corresponder uma mudança de nome. Abandonou o nome Saulo e, deste momento em diante, fez-se conhecer como Paulo. (texto Wikipédia)