23.5.10

Cabo Frio


Se te navego em doces remos n’água,
Cá nessa praia onde foste musa.
Se o salino gosto em minha língua,
Uma saudade imensa em mim acusa.
É porque aqui, nas dunas desse cabo,
Ficaram bem marcadas as pegadas.
Na areia branca, nesse verso vago,
Agora acendo luzes apagadas.
Lá se vão anos, décadas, lembranças
De quando nossos sonhos de crianças,
Aqui vieram ter em doce cio.
Nenhuma luz, meu Deus, nenhum afago
P’ra derreter o gelo que hoje trago...
Reminiscências nesse peito frio.

Frederico Salvo

2 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Bela poesia, meus cumprimentos a você.
Eu conheci Cabo frio com 14 anos, onde na praia do Forte, erá somente dunas, lá se vai algum tempinho.

Efigênia Coutinho
in New York

Anônimo disse...

O mar tem mesmo esse encanto e poder de trazer a tona lembranças e sonhos adormecidos em nós.
Destaco o último terceto, que apreciei sobremaneira:
"Nenhuma luz, meu Deus, nenhum afago
P’ra derreter o gelo que hoje trago...
Reminiscências nesse peito frio".

Tenha uma abençoada semana.
Beijos, meu poeta lindo.
Clarisse