11.7.09

Remoinho


Apenas murmurou o vento e eu saí atabalhoadamente a procurar os teus passos. Eles que eram tão seguros aqui na terra que me circunda. Agora somente esse vento frio e as palhas voando em remoinho. Não me coube mais as velhas botas e eu as tirei às margens do lago, no mesmo lago onde lançavamos as pedras lisas que saltitantes cortavam o leito d’agua. Eram cristalinos os nossos sorrisos e as ondas provocadas pelas pedras nos vinham ritmadas a trazer os arroubos de sonhos.
Praticamente não há mais nada. Nem os canteiros de margaridinhas existe mais. Com elas se foram a lembranças de carícias plenas e o aroma doce das gargalhadas rasgando o silêncio das manhãs nubladas. Não há também o soar dos sinos que da capela vinham encher o quarto ainda recendendo o cheiro das nossas entregas. Se visses agora o cajueiro como parece triste. Não há frutos. As folhas estão por um fio nas hastes frágeis. E esse vento agora a soprar constante, começa a derrubá-las, uma a uma, ao romper do meu outono.


Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

Um comentário:

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO FREDERICO, MARAVILHOSO TEXTO/POÉTICO... SIMPLESMENTE ADOREI AMIGO... ABRAÇO-TE COM CARINHO,
FERNANDINHA