10.4.09

Sorriso falho


Não me foi dado o direito de revê-la
Nem de recostar-me novamente em teu colo
E dizer-te o tamanho do meu equívoco.
Escondi de mim mesmo a verdade
Na tentativa de justificar-me.
Resguardei da vida o sorriso puro
E sorri a despeito da incômoda dor
Um sorriso falho de hepática cor.
Foi-me corroendo aos poucos a lembrança
Dos idos, das gargalhadas exatas.
Foi-me fugindo o menino... vazando em conta-gotas.
Agarrei-me aos dias de luta, de trabalho
E fui me refazendo a colar os cacos.
Nunca...nunca mais as convictas palavras
Que nos versos ardiam silentes.
Nunca mais ramalhetes a saltarem da boca.
Desenrolou-se o tempo constante
E o vento soprou irascível e inclemente
Os sonhos que se perderam na poeira.
Só ficou uma pedra no meio da estrada.
Única e inquebrantável:
Saudade.



Frederico Salvo

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Direitos efetivos sobre a obra.

3 comentários:

Liliana G. disse...

Leer tus poemas es caer en el remanso de tus palabras, ésas que anidan en tu pecho y se hacen verso en tus manos.
¡Precioso! Como siempre...
Un gran abrazo.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO FREDERICO, MARAVILHOSO POEMA... VOTOS DE UMA SANTA PÁSCOA PARA TI E TUA FAMÍLIA... BEIJINHOS DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA

angel disse...

O símbolo da Páscoa é a pomba voando livre com o vento em suas asas ...
Desejo que também seus sonhos voem livres e que a vida se renove sempre, e que cada amanhecer seja a esperança de um dia melhor que o anterior.
Feliz Páscoa!
Abraços