13.2.12

Desdém


O presente que guardavas para mim
E trouxeste escondido, muito bem
Encerrado no canteiro do jardim,
Era a flor embrutecida do desdém.

Tinha cor encantadora, tinha viço
E o olor que inebriava o sentido,
Mas, plantada em terreno movediço,
Era o visgo, o avesso, o perigo.

Estendi o braço e a mão para roubá-la,
Mas a ponta perfurante d’um espinho
Impediu-me de findar o meu intento.

Dessa forma, antes qu’eu colhesse vento
E a má sorte me agarrasse o colarinho,
Deus mandou-me essa dor, para evitá-la.


Dez./2011


Frederico Salvo

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