Os que seguem minhas pistas

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Muito do que às vezes quero dizer não me vem de imediato e nem tampouco verbalmente. Vem como um turbilhão de palavras, um sopro vindo não sei de onde, indo não sei para onde. São essas as coisas que escrevo e das quais quero falar. São essas as imagens que me traduzem e que dão, espontaneamente, pequenas pistas de mim mesmo.

10.12.11

Às cegas


Tento esquecê-la. É fato.
Na manhã sombria,
Chuvosa e fria,
Fica na boca o gosto do hiato,
A lacuna que deixaste.

Vão.

Ainda...
Essa mesma solidão
De quando vim ao mundo,
Arrancado, à força, da inocência.
Ainda isso a ribombar.

Eu busquei todas as coisas
Tentando disfarçar.

Veio você.Luz.
E depois o pranto.
Rio silencioso na boca da noite.
Amei-te tanto.
Com a força desmedida de um condenado.

Que marcas a vida tem deixado em mim?
Que devaneios mais devo oferecer-me?

Santa caminhada às cegas.
Vida que amarra.
Passos estimulados
Pelas esporas do ter que seguir em frente.

Vão.



Frederico Salvo

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