24.11.13
O jugo mais forte
Um dia sangraram à inocência.
Sem rumo partiu ferida de morte.
Perdida, sem prumo, ao sabor da sorte,
Vagou sempre em busca de referência.
De pouco valeu a razão da ciência;
Foi justa e precisa ao curar o corte,
Mas não debelou o jugo mais forte:
A noite que ofusca toda existência.
Vieram os dias de riso e festa;
Vieram as noites doces de amores,
No ciclo, onde a vida faz primavera.
Mas sempre depois de tudo o que resta
É esse canteiro vazio de flores,
É esse rugido, constante, de fera.
Frederico Salvo
26.10.13
Sobre um soneto
No princípio um soneto é só vontade
É um cesto de motivos infindáveis.
Por ser pulso criativo é liberdade,
Nascedouro de afãs intermináveis.
Se uns versos ganham a folha, distraídos,
Outros tantos no alforje se arvoram
A estarem, como eu, comprometidos
E com fome desmedida me devoram.
Diluído me desfaço em quartetos,
Liquefaço minha alma em tercetos,
Sou as velas d'uma nau que encontra o vento.
Quando vale este instante, desconheço,
Pois dar vida a um soneto não tem preço.
Sou um pai a ter nos braços um rebento.
Frederico Salvo
15.10.13
7.10.13
13.8.13
Abraço-me
Nu, nem sei como cheguei até aqui.
Vim de longe, muito longe...
Lembrei-me de, entre tantos,
Escolher um dia um caminho,
Uma pequena trilha de terra batida.
Entretanto, por esse mesmo caminho simples,
Que teve por sinalização apenas estrelas,
Cheguei frente a frente a mim mesmo.
Assim, trazendo comigo a poeira da estrada,
Abraço-me.
Frederico Salvo
29.7.13
Refrigério
" Comprazei-vos, ó Deus; em me livrar;
Depressa, Senhor:
Vinde em meu auxílio".
(Salmos 69:2)
Eis que, na sombra do meio dia,
Curta, minguada e aos meus pés
Surgiu um refúgio.
Eu que olhava o sol
E sentia suas propriedades ígneas,
As vaporizações sufocantes,
Os consequentes suores indesejáveis,
Não reparei-a a gritar meu nome
E a indagar:
Lembra-te de mim?
Eu sou filha do frescor da noite
Que provaste um dia.
Caminha em frente,
Reúne forças,
Porque ainda hoje
Baterei inteira em tua porta
E serei teu refrigério.
Frederico Salvo
14.7.13
Parto
Parto em dois
os descompassos dessa vida.
E antes que o não sonhar
intente o parto,
parto.
Frederico Salvo
10.7.13
Bruta flor
Exatamente hoje faz um ano,
Que por ser bruta flor parece dez.
Um período difícil e, salvo engano,
Da fieira da vida, um viés.
A princípio: estúpido, insano;
Pelo meio: o estouro das marés;
Pela fé? Um autêntico oceano
Sob a ótica e a certeza de Moisés.
Acredito (pois é só o que me resta)
Na vivência adquirida nesse ano,
Que por ser bruta flor parece dez.
Tens, amigo, meu convite para a festa
A essa flor, ontem bruta, hoje me irmano
Vencida... desfolhada... aos meus pés.
Frederico Salvo
Que por ser bruta flor parece dez.
Um período difícil e, salvo engano,
Da fieira da vida, um viés.
A princípio: estúpido, insano;
Pelo meio: o estouro das marés;
Pela fé? Um autêntico oceano
Sob a ótica e a certeza de Moisés.
Acredito (pois é só o que me resta)
Na vivência adquirida nesse ano,
Que por ser bruta flor parece dez.
Tens, amigo, meu convite para a festa
A essa flor, ontem bruta, hoje me irmano
Vencida... desfolhada... aos meus pés.
Frederico Salvo
5.7.13
Cabe em minha mão
Cabe em minha mão, presumo,
Toda a dimensão da vida.
Tudo de sonhar, a direção, o prumo,
Cabe em minha mão.
Cabe em minha mão, espero,
Tudo a se forjar na lida.
A dedicação, o farejar, o esmero,
Cabe em minha mão.
Cabe em minha mão, confio,
O seio teu minha querida.
O sussurrar, o apogeu, o cio,
Cabe em minha mão.
Cabe em minha mão.
Frederico Salvo
Assinar:
Postagens (Atom)






