29.9.12
Prelúdio - II -
Ontem havia, discretamente viva,
No vai e vem do fluxo coronário,
Como se fosse o canto d’um canário
A melodia linda... Sugestiva.
Belo prelúdio, raro breviário
Da sinfonia una e conclusiva,
Da mais perfeita gênese, cativa.
Motivo inédito. Ímpeto primário.
Jamais ouvira em toda minha vida
Beleza tal em notas convertida.
A perfeição às portas do absurdo.
Mas uma pausa longa e derradeira,
Da mais covarde e estúpida maneira
Rompeu com a ilusão. Tornou-me surdo.
Frederico Salvo
20.5.12
Elo perdido
Perdeu-se o elo.
Agora há a noite desconexa do dia.
O ímpeto coeso fez-se hemorragia
E esvai-se longe do que foi outrora.
Lá fora as cores vestiram cinzento,
A brisa leve transformou-se em vento
E a rosa rubra já não mais aflora.
Perdeu-se o elo.
O destino quebrou a corrente.
O presente já não é tão belo...
Aos trancos vou seguindo em frente.
13.5.12
Mãos-de-cabelo
Mãos-de-cabelo é um monstro horroroso
Que sabe muito bem a que veio.
Ataca no Pico do orvalho leitoso
Ou na Caverna do buraco no meio.
Vem esgueirando-se sorrateiro
Lá pela mata do desejo.
Dizem que se tornou traiçoeiro
Por não conhecer o gosto de um beijo.
O coitado é um monstro solitário
Que ataca a quem como ele se sente.
Conta o conto do vigário
E se apodera da gente.
Depois de consumado o fato,
Foge rapidamente.
Não sem antes firmar um trato:
_ Volto oportunamente!
Frederico Salvo
Que sabe muito bem a que veio.
Ataca no Pico do orvalho leitoso
Ou na Caverna do buraco no meio.
Vem esgueirando-se sorrateiro
Lá pela mata do desejo.
Dizem que se tornou traiçoeiro
Por não conhecer o gosto de um beijo.
O coitado é um monstro solitário
Que ataca a quem como ele se sente.
Conta o conto do vigário
E se apodera da gente.
Depois de consumado o fato,
Foge rapidamente.
Não sem antes firmar um trato:
_ Volto oportunamente!
Frederico Salvo
1.5.12
São Paulo (canção)

Letra e Música: Frederico Salvo
Depois que o sol
que imaginei se escondeu.
Por trás do arranha-céu
por fim se debateu.
Abri um furo no chumbo do céu
e imaginei estrelas a brilhar
sem véu.
Mas mesmo assim te curto
e mais,és sensação.
Viraste assim
um monstro bom pro coração.
Bar em bar eu respiro canção.
E é bom ficar perdido,
sem ter rumo,
nos braços teus.
São Paulo.
São Paulo.
Frederico Salvo (letra e música)
1984
Direitos efetivos sobre a obra.
22.4.12
Pós volúpia
Ah, esse silêncio incômodo ainda.
Corta qual navalha, rompe, dilacera.
Ah, essa imensa dor que não finda.
Triste desconsolo, estúpida quimera.
Ah, esse semblante exangue que me encara;
A dura e sisuda efígie triunfante.
Ah, essa ferida aberta que não sara.
Intrépido ardor, febril e lancinante
Que sempre se impõe, imenso obelisco
A arranhar meu céu. Infame primavera
Que flora o jardim, mas nunca meu Saara.
Queria adormecer à sombra de um aprisco;
Livre da injúria rude dessa fera,
Longe do relógio audaz que nunca pára.
Frederico Salvo
19.4.12
Jogo de luzir

O poeta quis e fez-se o verso.
Nasceu, à pena grave, poesia;
Da bruma do silêncio que jazia,
Ouviu-se o murmúrio d’universo.
Estrela salpicada com a lua,
Palavras como rastro de cometa;
A prata fina n’água da rua,
Desenho escorrido na sarjeta.
Pena de poeta sempre pode
Tocar as franjas do mundo todo,
Num jogo de luzir a fantasia.
A força de um verso que explode.
A farsa, a ira, o bem-querer, o medo;
Com o som e os matizes que queria.
Frederico Salvo.
16.4.12
Talvez assim Ele dissesse.

Brado ao vento inutilmente
Como forte hemorragia.
Perdida e vaga sinfonia
Que se esvai qual sangue quente.
Falo de amor, mas não ouvis;
Mostro-vos claro, mas não vedes.
Emaranha-vos as redes
Do mundo que segue infeliz.
Dei-me em brutal sacrifício,
Entregue, imolei-me por vós;
Mas tudo se perde aos poucos.
Esquecestes, como indício
De negligência imensa e atroz,
De amar-vos uns aos outros.
Frederico Salvo.
14.4.12
Sibilos
6.4.12
"Balada de mim"
Doravante sigo assim:
Beijando essa boca
De colorido carmim.
Comendo a fruta,
Sorvendo o sumo,
Saindo do prumo
Com limão e gim.
Não meço as palavras,
Perdi o juízo,
E se for preciso
Digo até que sim
Ao incoerente
Que se faz prudente
E agora inclemente
Se apossa de mim.
Deixei de remar
Contrário à correnteza,
Minha natureza
Cansou-se por fim
De querer conter
O sangue desatado,
De querer, a nado,
Chegar a Pequim.
(Talvez seja viável
Se eu, futuramente,
Falar mandarim).
Por hora me traduzo
Nessa “balada de mim”.
Passar bem!
(Decerto cheguei ao fim).
Frederico Salvo
***********************************
Direitos efetivos sobre a obra.
Assinar:
Postagens (Atom)




