2.2.13

ROMPANTES - V -


O eco
é o espelho
do som.

*****
Homem:
Ponte entre
Céu e terra.

*****
A mágoa
É um tiro
Pela culatra.

*****
O beijo
Busca sorver
A completude.

*****

Quem vive de passado
Opta no presente
Por não ter futuro.

*****

Da pedra
Que me deste
Fiz tua lápide
Que enfeitei
Com as flores
Que te trouxe.

*****

Um verso
Tem por sumo
A alma.

******

O espirro
É um suspiro
Ao contrário.

******


Frederico Salvo

16.1.13

MEUS DESENHOS













Olá, Amigos!! 

Esses são meus "poemas desenhados" que tenho feito nas minhas horas vagas. Faço sob encomenda. Se alguém se interessar faça contato através de mensagem ou através do e-mail fredsalvo@gmail.com. 
Um grande abraço a todos vocês.
Frederico Salvo

4.1.13

Vida

A vida não respeita e passa
Como se tomasse posse
Dos passos que sempre passam.
Eu sei: mergulhar não posso,
pois rasa ela me perpassa.
Vida não é poço.
É poça.


Frederico Salvo

13.10.12

Contraditório



À beira da estrada, contrito,
Deixei a bagagem pesada.
Parti a princípio aflito.
Seguia apenas, mais nada.

Achava a tudo esquisito,
Vagava qual alma penada
O peso, outrora maldito,
Fazia-me falta danada.

Sentia-me contraditório;
Da dúvida vil, envoltório.
Escravo de torpe saudade

Daquilo que menos valia.
Retrato cruel que um dia
Julguei que espelhasse a verdade.


Frederico Salvo

6.10.12

Liberdade - II -



Compulsivo e insano movimento
De querer ir de encontro à liberdade.
Esse ímpeto feroz que em todos arde
Num incêndio contumaz do pensamento.

Não se sabe explicar por onde invade,
Se nos chega pela brisa ou pelo vento.
Vem co’a força visceral de um rebento,
Revestido de brutal sagacidade.

Quem será que se perdeu pelo caminho
No afã irrefreável de encontrá-la
Ou buscou se saciar de modo empírico?

Quem um dia degustar tão nobre vinho
Saberá esse segredo ao decifrá-la:

Liberdade é a morada do espírito.



Frederico Salvo

29.9.12

Prelúdio - II -



Ontem havia, discretamente viva,
No vai e vem do fluxo coronário,
Como se fosse o canto d’um canário
A melodia linda... Sugestiva.

Belo prelúdio, raro breviário
Da sinfonia una e conclusiva,
Da mais perfeita gênese, cativa.
Motivo inédito. Ímpeto primário.

Jamais ouvira em toda minha vida
Beleza tal em notas convertida.
A perfeição às portas do absurdo.

Mas uma pausa longa e derradeira,
Da mais covarde e estúpida maneira
Rompeu com a ilusão. Tornou-me surdo.


Frederico Salvo

20.5.12

Elo perdido


O destino quebrou a corrente.
Perdeu-se o elo.

Agora há a noite desconexa do dia.

O ímpeto coeso fez-se hemorragia
E esvai-se longe do que foi outrora.

Lá fora as cores vestiram cinzento,

A brisa leve transformou-se em vento
E a rosa rubra já não mais aflora.

Perdeu-se o elo.

O destino quebrou a corrente.
O presente já não é tão belo...

Aos trancos vou seguindo em frente.





Frederico Salvo

13.5.12

Mãos-de-cabelo

Mãos-de-cabelo é um monstro horroroso
Que sabe muito bem a que veio.
Ataca no Pico do orvalho leitoso
Ou na Caverna do buraco no meio.

Vem esgueirando-se sorrateiro
Lá pela mata do desejo.
Dizem que se tornou traiçoeiro
Por não conhecer o gosto de um beijo.

O coitado é um monstro solitário
Que ataca a quem como ele se sente.
Conta o conto do vigário
E se apodera da gente.

Depois de consumado o fato,
Foge rapidamente.
Não sem antes firmar um trato:
_ Volto oportunamente!



Frederico Salvo

1.5.12

São Paulo (canção)



Letra e Música: Frederico Salvo


Depois que o sol
que imaginei se escondeu.
Por trás do arranha-céu
por fim se debateu.
Abri um furo no chumbo do céu
e imaginei estrelas a brilhar
sem véu.

Mas mesmo assim te curto
e mais,és sensação.
Viraste assim
um monstro bom pro coração.
Bar em bar eu respiro canção.

E é bom ficar perdido,
sem ter rumo,
nos braços teus.

São Paulo.
São Paulo.


Frederico Salvo (letra e música)


1984

Direitos efetivos sobre a obra.