31.1.09

Um pouco sobre amor e arte.

Se da arte emana pura
A essência que colore a vida;
Por que deixá-la esquecida,
Perdida numa noite escura?

Pode procurar com esmero;
Vasculhar os cantões desse mundo,
Ir ao recôndito mais profundo
Onde ninguém mais poderá vê-lo.

Só achará coisa bruta
Nesse mundo, em toda parte;
A não ser que amor e arte
Encontre nessa labuta.

Sim! Amor e arte – Eis o que resta –
No mais, tudo é pequeno,
Pois em tudo haverá o veneno
Que o egoísmo empresta.

Falo porque bem sabes amigo,
Que em toda obra de arte
É impossível que se descarte
O amor. Ali ele faz abrigo.

O artista, então, catalisa
Do universo a energia mais pura
E é isso, verdadeiramente, a cura
De tudo quanto escraviza.

Uma platéia eletrizada,
Um poema, uma tela,
Uma construção imponente e bela;
Pura energia canalizada.

Em contrapartida, no que há de mais triste,
É fácil se perceber;
Não há como esconder:
Ali o amor inexiste.

Ganância, ódio, rancor,
Deslealdade, intolerância e guerra;
Em que tudo isso se encerra?
Na certa não é no amor.

Então, levantemos o estandarte
Para que haja mais brilho na vida,
Não se tornando matéria esquecida,
O amor. E viva a arte!


Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

30.1.09

Ímã

Esteio. Pilar que me sustenta.
Fonte do amor extremo. Vida.
Como não sentir de forma intensa
Essa paz que em ti vive escondida?

Santa luz de enorme claridade
Que do breu faz manhã clara e bela.
Estrela d’imensa intensidade
Que é ponto de fuga em minha tela.

A ti todas as coisas convergem,
Por ti gira o mundo espiralado,
Pois que és como o olho da tormenta.

Esse ímã que há em ti me orienta,
Trago o peito magnetizado
Pela fé, pelo amor, pela coragem.



Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

29.1.09

Rio abaixo

Sob a sombra dessas asas
Deixei-me ficar todo esse tempo;
E ao sentir-lhe o toque leve
Como o soprar do vento
E o carinho intenso
Como a abrangente bruma,
Desci em águas fartas
Boiando feito espuma,
Até quedar teu rio
Em meu contentamento.

Deixei-me ficar isento
Das armadilhas do mundo;
E antecipei o riso que me viria em breve
No total das horas, à soma dos segundos;
As cores que te penso,
Perdido em desvario
Nas águas tão serenas,
Meandros do teu rio,
Onde navego em vida
À foz dos nossos mundos.


Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

28.1.09

Selo "Sobrevivente do Romantismo"


Com imensa satisfação que recebo o selo "Sobreviventes do Romantismo" do meu amigo e poeta Carlos Barros. (http://irretorquivelpsique.blogspot.com/ ).

“Com este pequeno prêmio pretendemos honrar as pessoas que ainda se regem pelo coração, que percebem o que é o verdadeiro amor, que lutam por ele e o conseguem transmitir na sua escrita.”

Este prêmio obedece às seguintes regras:

1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;
3) Escolher outros blogs a quem entregar este premio.

Assim segue:
Bitácura de vuelo http://lanavede-lg.blogspot.com/

Escultura

(Cristo no Horto) - obra de Aleijadinho.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleijadinho


Na madeira, cuidadoso entalhe
Copia os traços na tua efígie;
Segue a talhar mínimo detalhe,
Co’ a minúcia que a tarefa exige

O escultor de mãos embrutecidas
Que enganando guardam sutileza;
Deixando vai, assim, aparecida
A tua forma (traços de beleza).

E já não é gente, nem madeira,
A peça que do trabalho surge;
D’outra essência a obra consiste.

É como ser de oculta maneira
Na dúvida, a solução que urge;
É como Deus que sendo, inexiste.



Frederico Salvo
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Dieritos efetivos sobre a obra.

27.1.09

Sagrada ingenuidade

Quero a criança que existe em mim.
Sim, aquela que olhava as ruas ensolaradas
E respirava o vento matinal
Sem preocupações metafísicas,
Sem entender os adultos.
Quero que ela saia numa explosão transbordante,
Banhando beneficamente minha alma,
Cicatrizando feridas emocionais.
Quero que corra risonha em minhas veias,
Irrigando todo o meu corpo
Daquela sagrada ingenuidade.


Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

26.1.09

Calejados versos


Foge das minhas mãos depressa o tempo,
Desenfreado entre o vão das horas.
Vai como folha ao humor do vento
A minha vida pelo mundo afora.

Ontem, no espelho, apenas um menino
A esmiuçar o tom das descobertas;
Hoje a sentir o gosto do destino
Que singrando veio em velas abertas.

Ficaram marcas, vestígios apenas;
Sulcadas rimas, calejados versos,
Pois fiz da minha vida, poesia.

Distâncias que eram grandes fiz pequenas;
Amores bem coesos vi dispersos.
Agora sigo nu. Rasguei a fantasia.



Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

25.1.09

Tormento

Onde estarão as cores do mundo,
Que outrora enfeitaram meus dias
E celebraram comigo a alegria?
Onde estarão as bocas que cantavam libertas
Os cantos de imaturas letras,
Mas de incomparáveis força e sentido?
Meu Deus!
Onde estarão a pureza dos meus gestos
E a receptividade crédula aos gestos alheios?
Onde andará a inocência
Que procurava em tudo o verdadeiro sentido
E que se ressentia por não ser ainda mais cristalina?
Tudo deu lugar a este tormento
Onde cores são cores apenas;
Bocas cantam rotineiramente
Cantos de letras maduras e repetitivas;
Gestos são sempre comedidos, objetivos;
E a inocência vem apenas esporadicamente
Passear, tímida,
Sobre as frases dos meus versos.


Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.

24.1.09

Boa companhia


Um minuto em tua boa companhia,
Não sei explicar exatamente,
Mas é como algo que fermente;
Transforma-se sempre em um grande dia.

Um minuto em tua boa companhia
Jamais se esgota em si mesmo,
Tampouco se perde a esmo.
Envolve, enlaça, contenta, sacia.

E é justamente esse hiato
Que te faz interessante
E que a minh’alma abriga.

E já não posso esconder de fato
Que és, assim, um ponto equidistante
Entre a mulher, a amante e a amiga.



Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.