
Crescemos. É crescemos. Quem de nós ainda não guarda um gosto de criança dentro de si?
Creio que todos nós ainda a temos dentro, escondida, tantas vezes podada. Ainda podemos sentir o sabor das aventuras dos tempos de menino, o espanto diante das novidades, a ansiedade ao esperar o dia da viagem. Hoje quero fazer um paralelo aqui entre dois sonetos que falam a respeito dessa criança que ainda habita dentro de nós. Vamos lá!
Creio que todos nós ainda a temos dentro, escondida, tantas vezes podada. Ainda podemos sentir o sabor das aventuras dos tempos de menino, o espanto diante das novidades, a ansiedade ao esperar o dia da viagem. Hoje quero fazer um paralelo aqui entre dois sonetos que falam a respeito dessa criança que ainda habita dentro de nós. Vamos lá!
RECORDO AINDA. . .
Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui...Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...
Mário Quintana
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AINDA SOMOS CRIANÇAS, QUERIDA.
Ainda somos as crianças, querida;
Que outrora fomos num recente passado.
Ainda ouvimos as remotas cantigas
Agora em ritmo tropo, sincopado.
Trocamos balas, doces por prazeres
Outros, porém não menos infantis;
Fazemos birra por mortais quereres
Tão sutilmente... (nem percebo que fiz).
Somos meninos grandes, sim senhora;
Representamos num teatro falho
A peça rude que se faz agora.
Tornar-se adulto é ir por um atalho
Ao erro grave de querer, por hora,
Ter mais verdades do que um “vão” pirralho.
Frederico Salvo
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Direitos efetivos sobre a obra.
Lei n° 9.610, de 19.02.98
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