Olá, amigos!! Para finalizar o mês de agosto deixo para audição de vocês o meu "Tema breve", composição que usei para musicar o poema "Calmaria", postado por mim aqui no mês de junho de 2010. A todos o meu muito obrigado pela presença. Abração! Frederico.
Finjo não ver teus defeitos Ultrapassando a largura dos ombros. Abro os braços e abraço-te plenamente, Imbuído de profundo e sincero afeto. Afinal os teus dedos me vão além da epiderme. Só eles perpassam a fáscia e os músculos E exploram os meandros da minha alma. Defeitos?! Decerto todos os temos, Mas fecho meus olhos a eles. Sorrio um sorriso quase franco E escondo as miudezas que me fazem pensar Que posso estar enganado. Poderiam soprar em meus ouvidos Que haveria de ter sido mais feliz Se tivesse me dado àquele amor primeiro. Te amo porque me é seguro que seja assim. Ao som das canções que emolduram o nosso passado, Nossas fotografias mostram olhares iluminados. E hoje tenho a profunda convicção De poder dizer-te: Somos felizes?
A poesia não é nada mais Do que memória de original pureza. É a lembrança segura do cais, É inocência, é delicadeza. Se aventura-se por outros caminhos... Pesados versos, amargas palavras... Onde o poeta ferido de espinhos Se despedaça frente às ondas bravas, É tão somente pálido reflexo Da alma artista a debater-se sôfrega, Desesperada a procurar por nexo. Em intrincado jogo tão complexo, É branca paz a repousar no côncavo, Mas é também a guerra no convexo.
Frederico Salvo ********************************************* Direitos efetivos sobre a obra.
O pensamento é grande, rápido e livre, Podendo estar aqui ou lá no Himalaia. Atreve-se a fluir por baixo da saia Da mais bela mulher com quem nunca estive.
Ninguém pode contê-lo, atá-lo ou fazê-lo Estar onde não queira estar por vontade. E mesmo que o maior segredo ele guarde, Somente quem o pensa pode sabê-lo.
Imensurável glória do ser humano; Que seja científico, sacro ou profano, O saldo d’uma vida em ágil segundo.
Conduz-nos pelo breu dos mares bravios, Farol a dar destino a nossos navios... Assim é o pensamento: luz desse mundo.
Frederico Salvo ******************************************* Direitos efetivos sobre a obra.
Quando acordares... Não te esqueças de lembrar Que alguém considerou-te desmedidamente Como um cais... A última esperança de um sonho vago Pela vida... Pelos caminhos sinuosos enfrentados. Alguém que, desacreditando do mundo, Depositou em ti Tudo o que afronta a impossibilidade... A inoperância de sonhos maiores... A utopia desajeitada dos primeiros anos. Saiba, ao despertares, Que a síntese de tudo que resistiu calado Dentro desse peito delirante, ensandecido, Repousou em ti em determinado momento... E que esse momento Refaz-se exponencialmente Em minha luta por não entregar-me. Quando teus olhos se abrirem E virem a primeira imagem do dia, Estará lá minha verdade, Posto que sou chama viva De tudo aquilo em que pousarem.
(agosto de 2010)
Frederico Salvo ****************************************** Direitos efetivos sobre a obra.
Quando você se vai a saudade aparece. Implacável permeia minha existência. E chego a pensar que é como se ela quisesse, Por vontade própria, celebrar convivência.
Apressa-se em fazer, do meu peito, morada, Compondo sorrateira a sua cantiga Para fazer serenata de madrugada E dragar, assim, minh’alma combalida.
Mas eu me aprumo e desfiro um golpe certeiro Bem na fronte da saudade fria e malvada, Encostando-lhe o sabre sobre a lapela.
E assim, estando em seu minuto derradeiro, Sorri sabendo que eu não posso fazer nada, Pois é seu rosto que está no rosto dela.
Frederico Salvo ************************************ Direitos efetivos sobre a obra.
Fustiga-me o brilho da tua luz, Imensa luz à flor da tua estada. Pousa intranqüila em meu coração de lata, Que bate agora cheio de tanto nada. Fustiga-me a ponto de cegar-me a tudo Que não esteja agregado a tua aura, Que não seja aquém do que não quero longe, Dentro do achegado muito à tua alma. Danço a dança do não saber-me vivo Dentro da tua trama a respeito da vida, Incerta, imprevista, na tela projetada. Canto a melodia (quimera adormecida). Um pálido lamento, um lúgubre motivo, Sem pausa ou dinâmica, sem coda...inacabada.
Frederico Salvo ***************************************** Direitos efetivos sobre a obra.
Teus pés: Doce lembrança. Imagem constante E que não cansa. Epígrafe e símbolo Do que me arrebata. A grata forma, A forma grata De conduzir Os passos dessa dança.
O duplo mimo Que instiga E desnorteia. Razão ... Que põe mais sangue Em minha veia E traz a essa peia Mais pujança.
Grilhão... Eis que minhas mãos Tornam-se tanto. A prenderem-te os pés Como a uma escrava Que lava meu dossel Com tal encanto Num canto de desejo E intemperança.